Marcio Alaor de Araujo avalia o erro do consenso: Quando tentar agradar a todos paralisa sua empresa?

Damien Bellard
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Marcio Alaor de Araujo

Conforme frisa o executivo do mercado financeiro, Marcio Alaor de Araujo, envolver a equipe nas decisões só gera resultado quando cada pessoa sabe qual é o seu papel no processo. Sem essa clareza, a participação vira reunião interminável.

Grandes empresas transformaram essa preocupação em regra. A Amazon, por exemplo, difundiu o princípio de discordar e se comprometer: todos podem contestar uma proposta, mas, após decidida, a equipe inteira trabalha para que ela funcione. A abertura ao debate convive com a execução rápida.

O equilíbrio entre ouvir e avançar gera questionamentos frequentes entre gestores. As respostas a seguir, organizadas pelas dúvidas mais comuns, trazem orientações práticas para quem quer engajar o time sem sacrificar o ritmo do negócio.

O que diferencia decisão colaborativa de decisão por consenso?

Na decisão por consenso, nada avança enquanto todos não concordam. Na colaborativa, as pessoas contribuem com informações e argumentos, mas a escolha final cabe a alguém previamente definido. A confusão entre os dois modelos explica boa parte das reuniões que terminam sem conclusão.

Marcio Alaor de Araujo explica que o consenso obrigatório costuma premiar a opinião mais insistente, e não a mais bem fundamentada. Esse modelo também dilui a responsabilidade: quando todos decidem, ninguém responde pelo resultado. A colaboração bem desenhada preserva a escuta e mantém um dono para cada decisão.

Ferramentas de governança ajudam a tornar isso explícito. O modelo RAPID, difundido pela consultoria Bain, distribui papéis como recomendar, opinar, executar e decidir. Quando cada participante sabe se foi chamado para dar opinião ou para bater o martelo, as expectativas se ajustam antes da reunião.

Quando vale a pena envolver a equipe?

Nem toda escolha pede debate amplo. Decisões facilmente reversíveis, como testar um novo formato de relatório, podem ser tomadas por quem está mais perto do problema. Levá-las a um fórum coletivo consome tempo sem reduzir o risco de forma relevante.

Marcio Alaor de Araujo
Marcio Alaor de Araujo

Já as decisões difíceis de desfazer merecem mais vozes. Mudanças de estrutura, grandes investimentos e alterações que afetam clientes se beneficiam de perspectivas diferentes, porque um erro nesses casos custa caro. Classificar a decisão antes de convocar pessoas economiza horas.

Como evitar que a participação trave o processo?

O primeiro recurso é o limite de tempo. Uma decisão com prazo definido obriga o grupo a priorizar os argumentos que importam. Outro recurso é colher as contribuições por escrito antes do encontro, o que dá espaço aos mais reservados e reduz a influência de quem fala mais alto.

Nesse ponto, Marcio Alaor de Araujo sugere que a reunião sirva para confrontar ideias já apresentadas, e não para gerá-las do zero. O grupo chega com posições conhecidas, discute divergências e sai com uma definição. O encontro fica mais curto e produtivo.

Quem dá a palavra final e como lidar com quem discordou?

Um gerente comercial propõe mudar a política de descontos. Parte da equipe apoia, parte resiste. Após ouvir todos, o diretor decide pela mudança, explica os motivos e reconhece os riscos levantados por quem discordou. Ninguém sai da sala sem saber o que foi decidido e por quê.

Esse cuidado com a explicação é o que sustenta o compromisso de quem perdeu o debate. Pessoas aceitam decisões contrárias à sua opinião quando percebem que foram ouvidas de verdade e que o critério foi claro. Decisões sem justificativa, ao contrário, alimentam resistência silenciosa.

Além disso, Marcio Alaor de Araujo destaca a importância de registrar os argumentos contrários. Se a decisão não produzir o efeito esperado, esse registro permite revisitar a escolha rapidamente e valoriza quem havia apontado o risco, reforçando a disposição da equipe para falar nas próximas vezes.

O que a equipe ganha quando é ouvida de verdade?

Profissionais que participam das decisões entendem melhor a estratégia e executam com mais autonomia. Eles deixam de depender de instruções detalhadas, porque conhecem o raciocínio por trás de cada escolha. Isso libera a liderança para se concentrar nos problemas que exigem sua atenção.

Há também um ganho de formação. Cada debate bem conduzido ensina a equipe a pesar riscos, ponderar dados e defender posições com argumentos. Com o tempo, a empresa passa a contar com novas lideranças preparadas, que aprenderam a decidir observando decisões sendo tomadas com critério.

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