Acordo entre Mercosul e União Europeia completa quase três meses de vigência

Nancy Lang
By
5 Min Read
Acordo entre Mercosul e União Europeia completa quase três meses de vigência

Tratado assinado após mais de duas décadas de negociação já reduz tarifas para exportadores brasileiros em setores estratégicos.

Depois de mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia entrou em vigor no dia 1º de maio de 2026, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. A pergunta que mais surge entre empresários e consumidores brasileiros diante dessa novidade é direta: na prática, o que muda para quem produz, exporta ou compra produtos vindos da Europa a partir de agora?

Um acordo histórico que conecta dois grandes blocos econômicos

O tratado une países que, juntos, somam mais de 700 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto combinado que passa da casa dos trilhões de dólares. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, com a entrada da União Europeia na lista de parceiros comerciais do Brasil, a fatia das importações globais coberta por acordos comerciais brasileiros pode ultrapassar 37%, ante os cerca de 9% registrados antes da assinatura do tratado. O texto final foi assinado em janeiro deste ano, em Assunção, no Paraguai, após a conclusão política das negociações ainda em 2024.

Do ponto de vista tarifário, a União Europeia se comprometeu a eliminar tarifas para 93% de sua pauta de importações, com um período de desgravação de até dez anos, enquanto o Mercosul fará o mesmo para 91% de sua pauta, em um prazo que pode chegar a 15 anos para os itens mais sensíveis. Essa gradualidade busca proteger setores considerados mais vulneráveis à concorrência externa em ambos os lados, ao mesmo tempo em que abre espaço para ganhos de competitividade em áreas onde o Brasil já é forte exportador, como o agronegócio.

Os setores que devem sentir o impacto mais rápido

Entre os benefícios mais imediatos está a redução de tarifas para produtos industriais brasileiros vendidos à Europa, com destaque para máquinas e equipamentos, incluindo itens como compressores, bombas industriais e peças mecânicas, que passam a entrar no mercado europeu praticamente sem tarifas. Do lado europeu, o acordo prevê cotas para produtos como veículos convencionais, chocolate e derivados de leite, que poderão ser importados pelo Brasil com condições mais vantajosas, ainda que sujeitos a controles específicos de licenciamento por parte do governo brasileiro.

Para o agronegócio, setor que já responde por parcela relevante das exportações brasileiras à União Europeia, a expectativa é de ganhos adicionais de competitividade, já que o bloco europeu foi, em 2025, o segundo principal destino das exportações do agro nacional. Ainda assim, especialistas em comércio exterior alertam que a plena internalização de acordos internacionais no Brasil costuma ser um processo lento, com prazo médio superior a quatro anos entre a assinatura e a entrada em vigor definitiva, o que reforça a importância de acompanhar de perto os próximos desdobramentos regulatórios.

O que muda no dia a dia de quem compra e vende com a Europa

Para consumidores, o acordo pode significar, no médio prazo, maior variedade de produtos europeus disponíveis no mercado brasileiro e possíveis reduções de preço em itens antes mais taxados na importação. Já para empresários que exportam, entender as novas regras de origem, os sistemas de certificação e os canais oficiais de consulta sobre acesso preferencial se tornou uma etapa importante para aproveitar de fato os benefícios do tratado, que já conta com sistema próprio de consulta disponibilizado pelo governo federal por meio do Siscomex.

Este avanço reforça a inserção do Brasil e do Mercosul no comércio internacional, ampliando parcerias em um momento em que outras negociações comerciais globais, como a disputa tarifária com os Estados Unidos, seguem gerando incerteza. Acompanhar a implementação prática do acordo ao longo dos próximos meses será fundamental para entender seu real alcance sobre a economia brasileira, especialmente para pequenas e médias empresas que buscam expandir sua atuação para o mercado europeu.

Fontes:
Conjur
CNA Brasil
Governo Federal (MDIC)

Share This Article